14 de setembro de 2017

'Infelizmente, não está nada bem', diz Xuxa sobre a mãe, Alda Meneghel

Alda tem Parkinson em estágio avançado e, no ano passado, sofreu dois AVCs

13/09/2017 - Na última terça-feira, 12, Xuxa compartilhou uma foto de sua mãe, Alda Meneghel, em seu Instagram e conversou com os seguidores sobre o estado de saúde dela.

"Hoje, minha irmã da Espanha me mandou essa foto da nossa Aldinha. Tão linda... saudades do abraço e da voz dela cantando um pequeno grão de areia", disse Xuxa na legenda, ao compartilhar uma foto antiga da mãe.

Quando questionada por seguidores sobre a saúde da mãe, a apresentadora respondeu: "Infelizmente, nada bem".

Alda tem 80 anos e luta contra o mal de Parkinson em estágio avançado e, no ano passado, sofreu dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC). A condição de Alda compromete sua fala e sua locomoção. Fonte: O Estado de S.Paulo.

11 de setembro de 2017

Orlando Dias, o primeiro, e esquecido, Rei do Brega

No palco chorava, rasgava a roupa, e arrebatava plateias

Orlando Dias, performático
foto: reprodução
11/09/2017 - O nome de batismo, José Adauto Michiles. Nome artístico Orlando Dias. Um cantor recifense de quem poucos conterrâneos, com menos de 50 anos, se lembram. Quem cultua brega, e considera que o baiano Waldick Soriano ou o também recifense Reginaldo Rossi são os dois maiores ícones (empregando um termo que se tornou brega) do gênero, deveriam conhecer um pouco de Orlando Dias. Ele é uma lacuna na grande maioria dos livros, dissertações de mestrados e afins que se escrevem sobre o brega.

É até estranho que Orlando Dias seja ignorado. Entre 1960 e 1965, ele foi um dos maiores vendedores de discos do país e frequentador assíduo das paradas com bolerões passionais, tangos, sambas-canção, além das marchinhas carnavalescas, que o tornaram um dos campeões do carnaval. Mas era nas performances de palco que incendiava plateias e insuflava a ira dos árbitros do bom gosto contra ele, mesmo assim copiado por muitos.

Cinco anos antes de Roberto Carlos, Orlando Dias lançou um LP com o título de O Inimitável. Chegou a afirmar que o Rei também o imitava quando gravou, em 1968, Ciúme de Você, de Luiz Ayrão, não por acaso no LP igualmente intitulado O Inimitável. Tenho Ciúme de Tudo (1962, Waldir Machado) foi um dos maiores sucessos de Orlando Dias.

“Minhas queridas fãs”, “Fãs do meu coração”, “Meu coração é de vocês”, “Devo o meu sucesso a todos os meus queridos fãs”, alguns dos bordões que Orlando Dias bradava durante as apresentações na TV, no rádio ou ao vivo. Para mostrar sua devoção aos admiradores, ajoelhava-se em pleno palco, abria a camisa, desabotoando-a, dramaticamente, rasgava paletós e lançava-os na plateia. Fazia o mesmo com lenços com que enxugava as lágrimas, quando se emocionava em demais com determinadas canções, como Maior Amor da Minha Vida: “Tu és o maior amor da minha vida/ tu és uma estrela guiando meus passos/ nas horas boas/ nas horas tristes/ minha querida/ tu és o maior amor da minha vida”. “O cantor que morre no palco” um de seus epítetos.



Em junho de 1960, programa Parada Feminina, apresentado pela atriz Lourdes Mayer, na Tupi, depois dos obrigatórios salamaleques aos fãs, Orlando Dias canta mais um bolero de sucesso: “Você ainda há de chorar por mim, mete a mão no bolso e saca um lenço, finge que chora, abre os braços, ameaça abrir a camisa. A plateia vai à loucura. Uma fã não gostou e mandou-lhe uns conselhos, através do Jornal das Moças (do Rio): “Meu caro Orlando, você causou tanta hilaridade, que eu cheguei a ter pena. Quer um conselho? Coloque suas mãos em posturas físicas educadas. Os gestos são apropriados para cantores líricos e, mesmo assim, são comedidos”.

Contenção de gestos e de tons altos não constavam no cardápio que Orlando Dias servia às suas adoradas fãs. E ele estourava nas paradas exatamente quando a contida bossa nova era a grande novidade da música brasileira, que tornava demodé o bolero, o samba-canção e a interpretação arrebatada. Era agora de bom tom o cantar intimista, exigia-se um fiozinho de voz do intérprete. Não para Orlando Dias, que lançava, em 1960, Tu Hás de Pensar em Mim, o segundo naquele ano. O LP emplacou vários sucessos, os boleros Nunca Mais, Espera Um Pouco Mais e O Que me Importa (todas de Waldir Machado).

Nessa última, antecipa-se a Odair José, lixando-se para o que digam sobre a mulher ama: “ Que me importa que outros digam que te quero/ que me importa que outros falem mal de ti/ o eu me importa é ser teu amor sincero”. Bolerões assim o tornaram um dos mais populares artistas do cast da Rádio Nacional e o maior vendedor da Odeon. No citado Jornal das Moças, um comentário sobre o astro pernambucano: “Bossa nova de cantor é o que tem feito Orlando Dias em todos os auditórios. Ele faz uma porção de coisas enquanto está no palco. Até canta”

PERNAMBUCO
Quando estourou no Brasil no começo da década de 1960, Orlando Dias já estava com muitos anos de estrada. Começou no Recife ainda de calças curtas, com um conjunto vocal mirim, A Turma dos Onze (o onze, pela idade dos integrantes). Apresentavam-se por dinheiro, em troco de comida, em reuniões de família e clubes sociais. Em 1940, estava na Rádio Clube de Pernambuco como parte do Conjunto de Anjos Rebeldes.

Tentou lançar-se como cantor, mas foi gongado, interpretando uma valsa. O público protestou, ele voltou a cantar a mesma música e ganhou o primeiro lugar. A família no entanto não via com bons olhos sua inclinação pelo rádio. O pai, que trabalhava na alfândega, o queria também funcionário público. Certamente profissão mais estável do que de cantor, no Recife, onde, até 1948, só havia uma emissora, a Rádio Clube, e nenhuma possibilidade de gravar um disco (a Rozenblit só seria criada em 1954).

“A minha vida no rádio, em Pernambuco, foram dez anos de esforços perdidos, tive que vencer a resistência da família para conseguir mudar-me para o Rio em busca de uma carreira sólida”, comentou ele, numa longa matéria na Revista do Rádio, em 1954, já relativamente famoso, mas ainda distante do auge. Quem continuava no auge ainda era o rádio, cantores e cantoras eram disputados a peso de ouro, a concorrência entre eles era igualmente grande.

Orlando Dias sobressaiu-se pela performances histriônicas, que levavam cronistas a duvidarem de sua masculinidade (ele casou jovem e enviuvou cedo). Quando, em 1967, apresentou na TV Excelsior o programa A Hora do Sino, ao lado de Ary Leite (ocupando o horário vago com a saída de Chacrinha da emissora), na revista O Cruzeiro saiu o comentário: “Seus animadores são o que existe de pior em matéria de loucura em televisão. Mil vezes o Chacrinha com suas baboseiras. No primeiro programa Orlando Dias ficou muito empolgado e mostrou que o lugar ideal dele é mesmo Petrópolis. Lá não faz calor. É mais fresco.”

Ele foi contratado da Odeon (chegou a gravar alguns 78 rotações pela pernambucana Rozenblit, nos anos 50), durante mais de 15 anos, mesmo que os sucessos tenham minguado por volta de 1968, com a mudanças de gosto do público. Seu último sucesso nacional foi Com Pedra na Mão (parceria com Maury Câmara), já num estilo mais apelativo, feito a Eu Não Sou Cachorro Não, de Waldick Soriano (que não costumava compor músicas neste nível).

Quando morreu, em 11 de agosto de 2001, aos 78 anos, em consequência de mal de Parkinson, ou talvez outras enfermidades que a familia não informou, Orlando Dias estava esquecido. Na imprensa, seu obituário foi curto. Somente no Jornal do Brasil ele foi lembrado como “O primeiro rei dos bregas”. Fonte: JC Online.

10 de setembro de 2017

Advogado de Lula, Roberto Teixeira é internado na UTI por insuficiência cardíaca

Aos 73 anos, Teixeira sofre de Parkinson há três anos e já passou por cirurgias cardíacas

06 Setembro 2017 | O advogado Roberto Teixeira, do escritório Teixeira Martins, foi internado na noite de terça-feira, 5, na UTI do Hospital Sírio Libanês em São Paulo, por insuficiência cardíaca aguda.

Além de atuar na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato, os dois são amigos próximos. De acordo com uma nota da assessoria de imprensa do escritório, ele tem histórico de doenças e cirurgias cardíacas.

Aos 73 anos, o advogado sofre de Parkinson há três. Segundo a nota, ele continuará na UTI para a realização de exames. Fonte: O Estado de S.Paulo.

Compadre de Lula internado no Sírio

Advogado Roberto Teixeira seria interrogado pelo juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, nesta quarta-feira, 6

06 Setembro 2017 | O advogado Roberto Teixeira, compadre do ex-presidente Lula, pediu ao juiz Sérgio Moro adiamento do interrogatório a que ele seria submetido nesta quarta feira, 6, às 14h, em Curitiba. Teixeira é réu em ação penal com o próprio petista.

Na tarde de hoje, Moro remarcou o interrogatório de Roberto Teixeira para a quarta-feira, 13. No mesmo dia, Lula deverá prestar depoimento.

Na noite desta terça-feira, 5, Roberto Teixeira foi internado no Hospital Sírio Libanês em São Paulo com problemas cardíacos. Os advogados de Teixeira estão em Curitiba para formalizar o pedido de adiamento do interrogatório.

Teixeira é acusado por lavagem de dinheiro. A força-tarefa da Lava Jato atribui a Lula os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a Odebrecht e a Petrobrás.

O Ministério Público Federal aponta que propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo de R$ 504 mil.

Além do ex-presidente e de seu compadre, também respondem ao processo o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), seu ex-assessor Branislav Kontic, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE ROBERTO TEIXEIRA

O advogado Roberto Teixeira foi internado ontem, dia 5 de setembro, às 22h50, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, com o diagnóstico de insuficiência cardíaca aguda. Teixeira, de 73 anos, permanece na Unidade de Terapia Intensiva, onde será submetido a diversos exames. Ele tem histórico de doenças e cirurgias cardíacas e sofre da doença de Parkinson há três anos. Fonte: O Estado de S.Paulo.

27 de agosto de 2017

Criador do logo da GM morre aos 76 anos


Alan Peckolick teve lesão cerebral após uma queda em sua casa

11.08.2017 - O designer Alan Peckolick, criador do logotipo da General Motors, faleceu aos 76 anos em decorrência de uma lesão cerebral causada após uma queda, em Danbury, Connecticut. O artista também sofria de mal de Parkinson.

Peckolick, que nasceu em 03 de outubro de 1940 em Nova York, também realizou alguns trabalhos para a Mercedes-Benz, Pfizer e Revlon. No início de sua carreira, ele havia sido rejeitado por diversas escolas de arte até ser aceito no Pratt Institute, onde pediu para deixar o departamento de arte por não poder desenhar. Fonte: Jornal do Carro.

Leia mais aqui: Alan Peckolick, a Leading Logo Designer, Dies at 76.

29 de julho de 2017

A TRAJETÓRIA DE DOMINGO ALZUGARAY, UM SENHOR EDITOR


Por Carlos José Marques e Amauri Segalla, na revista Istoé

29 DE JULHO DE 2017 - Os antepassados bascos transmitiram a Domingo Alzugaray a noção de que o homem vence suas batalhas na vida usando 5% de inspiração e 95% de transpiração. Fiel a esse adágio, ele o perseguiu a cada novo desafio na sua rica trajetória, que redundou no Grupo de Comunicação Três, responsável pelas revistas ISTOÉ, ISTOÉ DINHEIRO e inúmeras outras publicações de expressão no mercado. Alzugaray se transformou em um dos maiores e mais influentes nomes da mídia nacional e à constatação de sua morte, na semana passada, abriu-se um vazio no mundo empresarial brasileiro, no ambiente de seus familiares, colaboradores e amigos mais próximos – e na história dos grandes nomes da imprensa. Na segunda-feira, 24 de julho, Alzugaray faleceu aos 84 anos em consequência de complicações causadas por um Parkinson em estágio avançado. Ao longo de quase meio século, ele construiu uma máquina de geração de conteúdo jornalístico que informou e formou brasileiros do Oiapoque ao Chuí, atuando em diversas plataformas, inclusive com o pioneirismo na área digital. Alzugaray esteve sempre um passo à frente na busca por inovação. Seu maior legado, contudo, é difícil de medir em números – talvez seja mais adequado aos manuais de jornalismo –, com a sua regra inquebrantável de levantar todos os ângulos de uma notícia. “Aqui não sai matéria, seja na ISTOÉ, na DINHEIRO ou em qualquer de nossas revistas, sem farta comprovação, fatos concretos e provas materiais de que o episódio existiu”, costumava dizer. Ele consagrou a “reportagem de autor”, fora do conceito de textos pasteurizados, tal qual linha de produção industrial, sem alma ou análise de contexto, vigente até então. Nas páginas das revistas que criava, Domingo Alzugaray praticamente reinventou o jornalismo informativo. Alinhavou novos princípios de edição, cobertura e enfoque. Apostou no modelo investigativo, de acuidade com os meandros da notícia. E nessa jornada, sob a sua batuta, a Três reviu rótulos, consagrou a verdade factual e refez a história em vários momentos, ajudando decisivamente na construção da Nação. “Um de nossos orgulhos é saber que as revistas da Três interferiram positivamente no avanço do País”, dizia Domingo Alzugaray.

Nesses anos de triunfos e solavancos, Alzugaray não perdeu os modos. Suas revistas frequentemente são firmes e críticas, mas ele exercia o controle da empresa com a gentileza e a elegância de um fidalgo. Envolvia-se diretamente e de forma diária na atividade editorial. Discutia todas as capas, acompanhava de perto as grandes reportagens, deleitava-se com as informações exclusivas, transformava seus almoços semanais na Três, quando recebia empresários e políticos, em longas e saborosas entrevistas. Argentino de origem e brasileiro por opção, tendo se naturalizado em 1966, Alzugaray nasceu na cidade de Victoria, província de Entre Rios. Desembarcou no Brasil em 1958 e dois anos depois se casou com a carioca, do bairro da Tijuca, Catia Alzugaray, com quem teve os filhos Caco e Paula, ambos discípulos do pai na missão de levar adiante a saga da família no jornalismo. O grande prazer da sua vida, nas horas de lazer, era a fazenda que possuía em Ibiúna, onde fazia reflorestamento, plantava eucaliptos e pinus, e tinha uma criação de cães, com dezenas deles, que resgatava das ruas. Torcedor do Corinthians – o que despertava em casa saborosos debates futebolísticos com o filho palmeirense –, Alzugaray tinha orgulho de ser brasileiro.

“Minha vida é em português, minha família é daqui, a minha história, tudo que construí foi no Brasil”. Formou-se em Perícia Mercantil, mas preferiu iniciar a carreira como ator, trabalhando em teatro e cinema. Galã de fotonovelas e da telona na juventude (fez cinco filmes, o último deles em 1960), Alzugaray trouxe para a atividade editorial uma combinação incomum de modéstia e eficácia. Ele era de longe o mais acessível e pedestre entre os pioneiros barões da imprensa brasileira. “Me chame de diretor-responsável”, estabelecia. Recusava o merecido título de “publisher” e proibia certas referências, tipo “patrão” ou “chefe”. “Quem tem chefe é índio”, brincava. Delegar era algo natural no seu relacionamento com os subordinados. “A linha editorial a gente fixa de comum acordo com os diretores de redação e depois eles que executam”. Afeito a uma boa conversa, costumava chamar jornalistas para trocar impressões em sua sala, ao som de algum belo tango argentino. Muitas vezes, por ocasião desses encontros, surgiram projetos que mais tarde se revelariam bem-sucedidos. Sua frase favorita, tomada por empréstimo da empresária Katharine Graham, do Washington Post, refletia um espírito prático: “imprensa independente é imprensa que dá lucro”. A mesa de trabalho de Alzugaray estava sempre coberta de pilhas de papéis, que só ele era capaz de localizar. Lia dezenas de artigos, conferia a pauta dos veículos da casa e da concorrência para comparar, anotava com caneta em suas publicações o que tinha a recomendar ou corrigir. Era um editor pleno.

A travessia até esse domínio do modus operandi de revistas de informação foi gradual. Da ascensão de Lula – que estampou uma capa da ISTOÉ ainda nos idos de 70, no auge da ditadura militar, quando era um desconhecido metalúrgico do ABC, fazendo ali sua estreia na mídia – aos impeachments dos presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff, muito da vida nacional passou pelas páginas das revistas conduzidas por Alzugaray, com revelações decisivas que mudaram o curso dos acontecimentos, graças a lances de ousadia e determinação do editor. “A imprensa e a democracia perdem um de seus baluartes. Sua atuação foi marcante. Em todos os setores em que atuou, sempre ocupou posição de liderança”, disse o presidente Michel Temer. A obstinação, independentemente das simpatias ou divergências políticas, era a marca de Domingo Alzugaray. Como empresário, conheceu e influenciou todos os presidentes brasileiros desde a redemocratização. Identificou o potencial de Lula nos tempos difíceis do movimento sindical. E também de FHC, quando ele era ainda um professor de sociologia, aspirante a projeção política. Com José Sarney tinha vínculos especiais e uma admiração recíproca. Aos que o criticavam por ligações com o poder, orgulhava-se de mostrar a independência de opinião e a firmeza de cobranças ao sistema, sempre que necessário. Seus veículos exerceram uma prática cotidiana de jornalismo analítico, plural e independente, que não compactua com interesses específicos de grupos ou pessoas. Aos editores sugeria um lema: a defesa intransigente da democracia. Quando ergueu a Editora Três, em 1972, junto com os sócios Fabrizio Fasano e Luiz Carta (daí o nome “Três”), Alzugaray deixou para trás um bem-sucedido emprego como diretor comercial. A data era 31 de janeiro daquele ano e o então jovem ator argentino que chegara ao Brasil nos anos 50, para ficar seis meses, implantando o departamento de fotonovelas da Abril, tomava uma decisão arrojada e dava o primeiro passo do que viria a ser uma longa e profícua trajetória empresarial. Ao então empregador, Victor Civita, informou com respeito e entusiasmo: “Durante 15 anos eu ajudei o senhor a construir o seu castelo. Agora eu quero fazer a minha choupana”. Reuniu US$ 30 mil do Fundo de Garantia e outros US$ 40 mil que haviam sobrado do crash da Bolsa de Valores de São Paulo e partiu para a empreitada. O capital era suficiente apenas para contratar cinco pessoas e alugar um andar de escritório na avenida Brigadeiro Luis Antônio, no coração paulistano. Tremenda aventura. Por que empreendê-la? “Eu tinha 40 anos e um projeto de vida. Queria fazer minha própria editora”, explicou o empresário em uma de suas antológicas entrevistas. Alzugaray era homem afeito a grandes viradas de vida em momentos improváveis.

Naquele período conturbado, no auge do regime militar, com cerceamento policial à liberdade de expressão, poucos se lançariam num projeto tão arriscado. Tratava-se de inventar uma empresa de informação a partir do nada, em um ambiente já ocupado por grandes companhias. A aposta inicial foi por um produto de larga vendagem e elaboração simples: o então fascículo de culinária MENU. A ele seguiu-se uma série de outros fascículos de enorme repercussão e duas célebres coleções de livros. A primeira delas trouxe 48 títulos e vendeu quase 2,5 milhões de unidades, um feito inacreditável para um País com reduzido índice de leitura. Alzugaray, naquele momento, já estava fazendo história. Demonstrou ser possível comercializar literatura em bancas de jornal, a preço acessível, para vastas audiências. A segunda coleção, escrita pelo célebre historiador Hélio Silva, desafiou a censura ao publicar o relato da morte sob tortura de um militante contrário ao regime. Era da natureza de Alzugaray os justos enfrentamentos.
Apenas seis meses após constituir a Três, nascia a PLANETA, título que persiste até hoje. Inspirada na “Planète”, criada por dois intelectuais franceses, ela seria comandada pelo jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão. Foi aí que outra bela tradição começou: em sua história, a Três contratou e teve entre seus colaboradores alguns dos mais brilhantes cérebros do País. Glauber Rocha, Jorge Amado, Rubem Braga, Millôr Fernandes, Carlos Drummond de Andrade, João Ubaldo Ribeiro e Paulo Francis são alguns dos nomes que ajudaram a construir as páginas publicadas pela Editora Três. Quem cotejar o plano de Alzugaray com a realidade do que ele obteve nesse quase meio século da Três terá a certeza de estar diante de uma grande obra. Talvez tenha sido fruto da postura sempre confiante de um otimista incorrigível. Mas ao lançar a lupa sobre os movimentos certeiros dados por ele será fácil notar que Alzugaray conhecia bem o métier. Algo nato, inerente a sua personalidade e que despertou respeito e reconhecimento entre os convivas. Muitos, aliás, da classe política à empresarial, profissionais de imprensa, banqueiros e juristas vinham a ele em busca de sugestões e conselhos.

Grandes encontros

Alzugaray, tempos atrás, encomendou uma longa mesa de mogno, maciça e de tronco inteiriço, para recebê-los. Estar sentado à mesa representou e representa até hoje um estratégico ponto de localização para se conhecer melhor o País. “O Brasil passou por ela”, dizia Alzugaray. Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Antônio Ermírio de Moraes, Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva, Lázaro Brandão, Joseph Safra, José Sarney, Fernando Collor, José Alencar, para citar apenas alguns exemplos marcantes, trocaram ideias com jornalistas da editora – e com o próprio Alzugaray – diante do móvel comprado no fim dos anos 70 por ele. “A mesa virou símbolo da empresa”, definia o editor. A saga de sua compra foi estudada de maneira pormenorizada. Alzugaray queria uma mesa de reuniões para a presidência que se distinguisse das demais. Nada atendia a suas expectativas. Ele imaginava um móvel único, de grandes dimensões e capaz de receber bem qualquer visitante – um líder da República, um empresário, uma personalidade. Saiu a procurar o objeto de desejo em Embu das Artes, cidade na Grande São Paulo famosa pelo comércio de móveis artesanais, e o encontrou. “Vi aquela imensa tora encostada em um canto e logo a vislumbrei na editora”, gostava de contar. “O dono da loja falou que faria três mesas com a tábua, mas eu quis comprar a peça inteira”. Complicado foi instalá-la na sede da Três, um edifício industrial do século XIX erguido na Lapa de Baixo, zona oeste de São Paulo. Alguns vitrais da fachada tiveram que ser retirados, parte de uma parede foi quebrada e só com a ajuda de um guindaste ela chegou ao seu destino. De madeira de lei, a mesa pesa meia tonelada, tem cinco metros de comprimento por um de largura e possui bordas irregulares que lhe conferem um aspecto singular, como se a natureza a tivesse esculpido para passar seus dias ali, naquela sala da Editora Três, testemunhando as transformações vividas pelos brasileiros, na palavra de seus protagonistas. Sobre ela, Alzugaray colocou uma pedra maciça com dezenas de cristais sextavados, que acreditava lançar bons fluidos de energia sobre os presentes.

A mesa de trabalho de Alzugaray estava sempre coberta por uma pilha de papéis que só ele conseguia localizar. Nesta sala, comparava artigos estrangeiros, textos da casa e da concorrência.

É claro que essa obstinação de Alzugaray não tinha sido a primeira, nem a mais inusitada delas. Em 1974, mesmo diante dos limites impostos pela ditadura, ele resolveu criar uma revista provocativa, com fotos de mulheres lindas e despidas e reportagens do tipo que prendem o leitor do início ao fim. Surgiu assim em agosto daquele ano, a Status, a primeira revista masculina do Brasil. Seu parceiro na Três, Fabrizio Fasano, já havia deixado a sociedade um ano antes, partindo para outros desafios. Alzugaray, ao lado de Luís Carta, encarou o sonho que, menos de uma década depois, atingia tiragens de 400 mil exemplares. “A STATUS plantou os alicerces da Três”, definia ele. Dois anos depois do lançamento de STATUS, capitalizada pelo sucesso comercial da revista, a empresa estava forte o suficiente para montar em 1976 uma empresa-filhote, a Encontro Editorial e, através dela, colocar nas ruas uma mensal de nome provocativo: ISTOÉ, inspirada no título argentino EstoÉs. A revista foi um sucesso instantâneo e radical, que lançou a editora em outro patamar. Nessa época, porém, Luís Carta já deixara a sociedade para montar sua Carta Editorial. Pela primeira vez, desde a criação da Três, Alzugaray estava sozinho na direção da empresa – e ela avançava de vento em popa. Em março de 1977 a ISTOÉ se transformaria na primeira semanal da editora. “Era uma época dura, de pouca liberdade para a imprensa, mas entramos sem medo”, contou Alzugaray. Reportagens que denunciavam as mazelas nacionais – corrupção, miséria, violência – se tornariam a tônica na revista. O regime militar ia relutantemente se abrindo e ISTOÉ aproveitava, com suor e talento, cada brecha. As reuniões de pauta pareciam comícios, trazendo convidados especiais como FHC. Foi nessa época que ISTOÉ descobriu e pôs na capa o líder metalúrgico Lula. Era uma das primeiras grandes contribuições da Três para cristalizar a democracia no País. Com a ISTOÉ, milhões de leitores descobriram que o verdadeiro jornalismo nasce da contradição e do debate, e não do pensamento único e estratificado. Esse espírito moveu e move a revista em toda a sua história.

No rol de lançamentos, Alzugaray também teve alguns percalços. E nem poderia ser diferente para quem nunca temeu eventuais fracassos. O maior deles chamou-se Jornal da República, um diário de ares europeus, com poucas fotos e predomínio total dos temas graves. “Foi um erro que me custou oito anos”, avaliou Alzugaray. Mas logo após lá estava ele de novo na corrida por criação de títulos e colocou nas bancas a revista SENHOR, com inspiração na britânica The Economist e direito de publicação do seu material. Nessa fase havia perdido a ISTOÉ, que foi entregue ao Unibanco em troca do pagamento das dívidas do jornal. Tempos depois, para juntar os dois mercados de economia e interesse geral, Alzugaray recomprou ISTOÉ em 36 parcelas e relançou a revista como ISTOÉ-Senhor, vindo depois a abandonar a marca Senhor. Para não deixar a editora órfã de um título de economia, anos depois, em 1997, o já veterano inventor de revistas, pressentindo que a hora havia chegado, abriu espaço no seu portfólio para uma semanal de economia, negócios e finanças, a ISTOÉ DINHEIRO, nos moldes da BusinessWeek, que rapidamente conquistou empresários, financistas e o mundo corporativo. “Dinheiro nunca me deu trabalho e sim uma enorme repercussão”, refletia Alzugaray.

“Não vendo”

E tamanha foi essa projeção que meses após o surgimento da revista as organizações Globo, planejando assumir um naco do mercado de semanais, esticou o olho sobre os títulos da Três e fez uma proposta tentadora para ficar com ISTOÉ, antes de lançar Época. “Passei seis meses negociando com eles sem nenhuma intenção de vender, só para ganhar tempo”, relembrava. Num determinado momento, um diretor da Globopar disse: “ou você vende ou vamos passar por cima de você como um rolo compressor”. Provocou assim o instinto guerreiro de Alzugaray. “Agora é que eu não vendo mesmo! Quero que você prove, em termos de negócio, como é que se passa como um rolo compressor por cima da gente”. Outros foram à carga. A Editora Camelot em parceria com o Banco Patrimônio tentou adquirir todo o grupo. Fez um lance com cifras irrecusáveis. Alzugaray balançou. Recolheu-se no final de semana na fazenda, em Ibiúna. Pensou e na segunda-feira seguinte já tinha o veredicto: “desculpe qualquer coisa, mas estou fora”. Ele explicou para os executivos interessados que não ia ter o que fazer com o dinheiro e nem teria mais tempo disponível para criar uma outra editora e outras semanais com o mesmo prestígio. “Pego esse dinheiro e vou fazer o que? Dar de comer aos esquilinhos no Central Park em Nova York?”. Definitivamente essa possibilidade nunca esteve no radar de Alzugaray. Ele jamais desistiria do que sempre foi a sua razão de viver. Fonte: Brasil 247.