30 de outubro de 2016

Aos 82, Maria Alice Vergueiro assume o Parkinson no palco e dirige peças

30/10/2016 - A memória da atriz e diretora Maria Alice Vergueiro não tem hora certa para fazer hora. O Parkinson foi diagnosticado há mais de 15 anos. Mas foi na temporada de "As Três Velhas" (2010) que ela expôs a público a presença inequívoca de um dos sintomas, interrompendo, em 2014, uma sessão da peça ao perceber que não lembraria uma palavra sequer do texto, assinado pelo chileno Alejandro Jodorowsky.

Não é um estado permanente, suas lembranças vão e voltam como se à mercê de uma maré. Quando recebeu a Serafina, no início de outubro, em seu apartamento em Higienópolis, a atriz estava com a memória afiadíssima, o que possibilitou recordar-se inclusive da sensação de esquecer o texto em cena. "Sinto pavor", diz. "Mas ainda tenho a possibilidade de dar uma entrevista como esta. E de falar. E de pensar sobre o que estou falando. Isso é uma dádiva."

Para a estrela do vídeo "Tapa na Pantera", tornou-se nítido que a memória não é um caminho de retorno ao passado. "É um caminho pra frente em que você tem de restaurar o que ficou para trás", explica. Além da carreira no teatro -passando pela formação do Ornitorrinco, os palcos de Zé Celso, Gerald Thomas, Augusto Boal e, mais recentemente, a criação do Pândega, grupo que fará dez anos em 2017-, Maria Alice foi pedagoga. Ensinou artes e teatro em escolas e na USP.

Aos 82 anos, intui a proximidade da morte, levando os movimentos quebrados do Parkinson para a cena, espécie de butô, o estilo japonês do pós-Guerra que reverencia os mortos. Em "Why the Horse?" (2015), ainda em turnê, Maria Alice encena o próprio velório, cercada de lápides com os nomes dos artistas mortos que abasteceram seu repertório e formação.

A peça inclui um momento em que ela se deita no caixão. "Embora eu esteja com esse tremor, faço de tudo para não dar bandeira, para não ficar muito... muito viva, digamos assim", brinca.

DOENÇA NO TABLADO

O documentário "Górgona", que será exibido no dia 31 de outubro na Mostra Internacional de Cinema de SP, registra o início dessa fase em que a atriz começa a compreender que a velhice não lhe tiraria de cena, pelo contrário, traria a possibilidade de outras identidades.

Com direção de Fábio Furtado e Pedro Jezler, o filme costura bastidores dos cinco anos de temporada de "As Três Velhas". Sem entrevistas, apenas a lente aberta, permite observar a vida no camarim e momentos bastante íntimos compartilhados com os atores Luciano Chirolli e Pascoal da Conceição.

Com o fim da temporada de "As Três Velhas", Maria Alice cogitou a interrupção da carreira de intérprete. Mas ela foi convencida de que havia uma possibilidade performática inclusive na evolução da doença. "Decidimos assumir [o problema da memória]", conta Furtado, que assina a dramaturgia da peça. Em "Why the Horse", os companheiros de cena de Maria Alice passam soprando para ela o texto, à vista do público. Antes, era a atriz Carolina Splendore, integrante do Pândega, quem fazia o ponto eletrônico. Splendore diz que sabe o momento em que Maria Alice precisa de ajuda, "por um olhar dela, ou um movimento de mão."

Na sala de sua casa, um apartamento herdado da mãe, Maria Alice também se cerca de objetos e fotografias que sopram lembranças de uma vida inteira. A imagem de Samuel Beckett, no centro de uma parede, se avizinha a retratos dos netos, da bisavó, de um pôster de "Mãe Coragem e Seus Filhos", que estrelou em 2002. Instada a contar a história de um objeto, a atriz aponta a poltrona em que o pai morreu quando ela tinha 21 anos e estava grávida de seu primeiro filho.

TARÔ DA VIDA

Em 2007, quando Jodorowsky tirou o tarô para Maria Alice Vergueiro em uma sessão pública, a análise do dramaturgo apontou a influência "fortíssima" de um poder místico e também a presença de um arquétipo masculino determinante na sua vida. Diante da plateia, ela foi questionada sobre seu pai.

Ao microfone, contou que a morte dele foi um ponto de virada na própria trajetória de artista. "Durante muito tempo procurei aquela energia em outros homens, até que percebi que a energia estava em mim. Comecei a compreender meu pai como ser humano, não mais como um deus. Neste momento, eu me aquietei, porque vi como é interessante não ser um mito."

Cacá Rosset, com quem Maria Alice fundou o teatro do Ornitorrinco, diz que ela tem "um descaralhamento". Neologismo enigmático, talvez diga respeito a algo mais profundo do que falta de pudor, ou o oposto da castração.

A trajetória da atriz inclui uma transição, digamos, performática, do ensino para o teatro. Em 1974, uma comissão de sindicância foi aberta na USP para apurar um espetáculo em que Maria Alice era "enrabada" por Rosset (palavras do ator) enquanto gritava "Tudo pelo teatro brasileiro". Ela foi afastada.

Rosset tem a tese de que a expulsão de Maria Alice fez com que ela passasse a se dedicar mais à vida de artista. Ela diz que a morte do pai e a separação do marido libertaram-na do bom-comportamento de uma família quatrocentona. Naquela mesma década de 1970, traficou 4.000 ácidos da Califórnia, e vendeu todo o lote para pagar aluguéis do Teatro Oficina. Maria Alice associa o uso do LSD e de outras drogas com um momento em que a loucura era deslocada de seu velho lugar nos livros de medicina. Cita o neurologista Oliver Sacks, o antropólogo Carlos Castañeda e defende que uma percepção mais ampla seja levada para os momentos de sobriedade.

Não tem medo de fazer críticas a colegas, diz que se desinteressou por trabalhar com Zé Celso já nos anos 1970 e que não via o Ornitorrinco exatamente como uma companhia, mas sim como um teatro administrado por Rosset.

Ela lamenta não ter reclamado na época pelo fato de que não podia, por exemplo, ter acesso às finanças do grupo. Hoje, defende no Pândega uma participação igualitária. Do que ela teria medo? A resposta volta a ser da morte, dos "bichinhos" que vão comer sua carne. "Por mais que te cremem, ou que você tenha a oportunidade de viver na escuridão total", diz, "fico pensando: vai que, de repente, você sente falta de ar... Sei que é um absurdo pensar nisso, pois já estarei em decomposição...".

Segue um silêncio, e Maria Alice conclui sem meias palavras: "É uma merda".

Com as mãos tremendo no colo -as unhas pintadas com esmalte preto-, ela ri. Ri não... ela gargalha. Fonte: Folha de S,Paulo.

13 de setembro de 2016

Estado de saúde de Hillary domina noticiários norte-americanos

Em entrevista à CNN na segunda-feira à noite, candidata democrata afirmou que não imaginava que a doença tivesse "essa importância toda"

13/09/2016 - A dois meses das eleições para presidente dos Estados Unidos, a doença da candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, vem dominando a campanha eleitoral. Os noticiários da TV norte-americana fazem indagações sobre a capacidade de a candidata voltar a exibir, no período que resta de campanha, o mesmo ritmo de trabalho de antes e mostram a cada meia hora as imagens de Hillary saindo de forma inesperada antes do término de um evento domingo passado, em Nova York, em homenagem às vítimas do ataque terrorista de 11 de setembro de 2001.

As imagens exibem o momento em que a candidata se desequilibra e só não cai porque é amparada por seguranças. Não só a imprensa dos Estados Unidos, mas alguns representantes do próprio Partido Democrata vêm criticando a forma como o comitê de divulgação da campanha de Hillary Clinton demorou para divulgar informações antes e depois de uma médica particular emitir comunicado tornando público que a candidata foi diagnosticada com pneumonia.

Os jornais mencionam que o comitê atrasou mais de dois dias para levar à imprensa a informação sobre a doença. Quando decidiu tornar pública a informação, o comitê deixou de explicar detalhes importantes, o que só contribuiu para aumentar as especulações — se algo sobre a doença que ainda não foi divulgado.

Ao comentar as especulações, a campanha de Hillary reconheceu que falhou ao divulgar a informação sobre a pneumonia. Dirigindo-se a alguns representantes do Partido Democrata, que disseram estar decepcionados com a falta de transparência nos relatos sobre a saúde da candidata, a diretora de Comunicações da campanha, Jennifer Palmieri, admitiu que o trabalho da comunicação "poderia ter sido melhor".

Na segunda-feira à noite, ao conversar por telefone com o jornalista Anderson Cooper, da CNN, que questionou porque o comitê da campanha não divulgou logo que a candidata estava com pneumonia, Hillary Clinton respondeu que não imaginava que a doença tivesse "essa importância toda". Pelo Twitter, ela enviou mensagem de agradecimento a todas as pessoas que enviaram votos de pronta recuperação.

A mensagem diz: "Como todas as pessoas que ficam em casa, longe do trabalho, estou ansiosa para voltar. Verei vocês prontamente na caminhada".

Em entrevista ao programa Monday Night, da TV pública PBS, o ex-presidente Bill Clinton, marido de Hillary, procurou diminuir as especulações sobre a possibilidade de a campanha do Partido Democrata não estar sendo transparente sobre o estado de saúde da candidata.

— Não há mais nada que não tenha sido dito — afirmou Clinton.

Donald Trump

O candidato do Partido Republicano, Donald Trump, está aproveitando a ausência temporária de Hillary Clinton na campanha para reforçar seu programa eleitoral. Embora nas últimas semanas Trump tenha feito alusões à falta de condições estáveis de saúde para que Hillary possa governar o país, ele se absteve de fazer qualquer comentário a respeito do assunto depois que foi tornado público que a candidata do Partido Democrata estava com pneumonia.

A campanha de Donald Trump, porém, quer mais. Pretende ocupar o espaço deixado provisoriamente por Hillary Clinton para tentar apagar a péssima imagem que tem em setores do eleitorado feminino e também entre negros e latinos.

Segundo pesquisa publicada pela rede de TV ABC News, e pelo jornal Washington Post, Hillary Clinton tem vantagem de cinco pontos percentuais em relação ao candidato republicano entre mulheres e minorias. Fonte: Zero Hora.

11 de setembro de 2016

doença de Parkinson: Afinal, Hillary Clinton tem parkinson ou não?

doença de Parkinson: Afinal, Hillary Clinton tem parkinson ou não?: Fazendo busca no youtube , pululam notícias de que Hillary Clinton  tem parkinson. Eu pergunto: Até que ponto isto prejudicaria seu mandato ...

Hillary Clinton passa mal e deixa a cerimônia do 11 de setembro em NY

Saúde da ex-secretária de Estado já foi questionada pelo rival Donald Trump

11/09/2016 | A candidata democrata à Casa Branca Hillary Clinton abandonou mais cedo a cerimônia de recordação dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York neste domingo depois de sofrer um mal-estar, informou sua equipe de campanha.

— Durante a cerimônia, ela passou mal com o calor e seguiu para o apartamento de sua filha (Chelsea). Já está se sentindo muito melhor — afirma um comunicado divulgado por sua equipe. — A secretária Clinton compareceu à cerimônia de recordação do 11 de setembro por uma hora e 30 minutos esta manhã para prestar seu respeito e condolências às famílias das vítimas — completa a nota.

O incidente pode ter consequências na disputa presidencial dos Estados Unidos, com o rival republicano Donald Trump insistindo que a ex-secretária de Estado, de 68 anos, não é apta por temperamento nem por saúde para o cargo de presidente.

O canal Fox News afirmou, ao citar uma fonte policial, que Hillary teve um "episódio médico" quando entrava no veículo que a retirou do Marco Zero.

Trump também compareceu ao ato, mas os dois candidatos não estão em campanha neste domingo. Fonte: Clic RBS.

9 de setembro de 2016

Relíquias de Muhammad Ali vão a leilão nos Estados Unidos

Cinturão de campeão mundial de 1974 deverá ser vendido por R$ 1,9 milhão

09 Setembro 2016 | O cinturão de campeão mundial de boxe de 1974 e uma carta escrita à mão sobre sua conversão ao Islã estão entre os itens de Muhammad Ali que serão leiloados neste sábado, em Dallas, nos Estados Unidos. A lista com dezenas de itens inclui ainda o calção usado por Ali na vitória sobre George Foreman no Zaire, em 1974 e as luvas usadas por Sonny Liston quando ele perdeu o título para Ali em 1964.

O leilão será promovido pela Heritage Auctions. A maioria dos itens vieram de colecionadores, e não da família de Ali. O item mais caro é o cinturão de 1974. A Heritage Auctions espera arrecadar com o cinturão do Conselho Mundial de Boxe cerca de US$ 600 mil (R$ 1,9 milhão).

Outro item bem avaliado entre os colecionadores é a carta de 1964 enviada por Ali à revista Life, na qual ele fala sobre sua conversão ao Islã. Em 18 de fevereiro de 1964, o ex-boxeador deu uma entrevista à Life anunciando que estava mudando seu nome de Cassius Clay para Muhammad Ali.

Os editores estavam preocupados de que ele iria negar a entrevista depois da publicação da revista e, então, Ali assinou uma declaração na qual dizia claramente que ele estava mudando seu nome. O documento deverá render US$ 100 mil (R$ 320 mil), mesmo valor de um roupão usado por Ali em uma luta contra Ken Norton, em 1976.


Muhammad Ali morreu aos 74 anos em 3 de junho deste ano, em decorrência de complicações respiratórias depois de 32 anos de batalha contra a doença de Parkinson. É considerado um dos maiores atletas de todos os tempos e, além das vitórias nos ringues, se destacou pela postura política, pouco comum em atletas de grande expressão. Fonte: O Estado de S.Paulo.