13 de novembro de 2017

PAULO BENEVIDES SOARES (1939-2017): Astrônomo dos tempos do Renascimento

Paulo Benevides Soares (1939-2017)
12/11/2017 - Quando Maria Vitória lia o jornal depois do marido, era comum que se deparasse com equações rabiscadas nas margens das páginas. O cérebro do astrônomo Paulo Benevides Soares respondia a qualquer estímulo -estudar, para ele, era uma função orgânica.

Engenheiro formado pelo ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica), passou a se dedicar à astronomia nos anos 60, quando foi convidado a fazer doutorado no observatório de Besançon, na França.

Voltou ao Brasil em 1968, convidado a desenvolver sua pesquisa na USP. Do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, foi professor titular de 1987 a 2009.

Dentre seus feitos, destaca-se a participação na criação do observatório da universidade em Valinhos (SP) -o antigo, na capital paulistana, caiu em desuso devido à poluição atmosférica da cidade.

Apesar da trajetória como homem das ciências, Benevides era considerado um intelectual completo. O amigo Antonio Candido o qualificava como "pessoa superior" devido à sua natureza modesta e ao perfil humanista; em homenagem na academia, foi chamado por convidada estrangeira de "renascentista".

Interessava-se por literatura, música, cinema, teatro. Politizado, sentia-se comprometido com os rumos do país e contribuía em todos os níveis: na relação com os alunos, como orientador atencioso ou pensando questões maiores. "Tinha uma profunda preocupação com o desenvolvimento científico e a formação do cidadão", diz a mulher.

Morreu nesta terça (7), aos 78, devido a complicações do mal de Parkinson. Deixa mulher, três filhos e três netas. Fonte: Folha de S.Paulo.

12 de novembro de 2017

Dez perguntas para Eduardo Dussek

Eduardo Dussek: cantor expõe quadros em homenagem ao pai /Foto: TV Globo
12/11/2017 - Eduardo Dussek é uma “brisa” leve neste momento politicamente correto em que vivemos no País. Sem pudores nem papas na língua, o multiartista faz rir com a leveza de uma criança de 5 anos. E pode ser, já que ele não revela a idade nem sob tortura (é só dar um “google”!): “Coloca aí qualquer coisa entre os 50 anos e a morte. Perdi a noção mesmo, porque os anos passam muito rápido. Não olho a carteira de identidade”. O bom humor está ali até na hora de falar sobre a doença(*) de Parkinson, doença diagnosticada há 12 anos: “Quando as mãos tremem, é só colocar um pandeiro.”


Não foi surpresa pra ninguém quando ele resolveu pôr um capítulo novo em sua vida – como sempre faz – e se lançar como artista plástico sob o codinome Edu Gabor Dussek. Dos 20 quadros a óleo que conseguiu reunir desde 2015 em seu atelier (um cômodo de seu apartamento, em Copacabana), ele escolheu três para a coletiva “Ode às Cores”, na MBlois Galeria de Arte, em Ipanema, em homenagem ao pai, o artista plástico, escultor e gravurista Milan Dusek, que morreu ano passado, aos 92 anos. A mostra vai até dia 8 de dezembro. Só pra constar: Dussek tem formação pela Escola Técnica de Arquitetura, mas estudou desenho e pintura com o pai, desde os 10 anos. Sua mãe, Agnes Dusek, era pintora, além de tradutora e intérprete. Fonte: LuLacerda.



(*) na matéria original está grafado "mal". Considero importante explicitar pois já foi caso de polêmica e, sendo politicamente correto, devo salientar que esta "correção", no meu entendimento, pode tirar a espontaneidade da matéria. Afinal por que ter esta merda, é uma "mal"dição mesmo, ou não é?

8 de novembro de 2017

EVA TODOR - 97 ANOS

06/11/2017 | A atriz que tem no currículo 21 novelas, 10 minisséries e quatro filmes, foi diagnosticada com doença de Parkinson há alguns anos e, desde "Salve Jorge" (2012) está afastada da TV. Foto: Globo/ "O Cravo e a Rosa" Fonte: O Estado de S.Paulo.

5 de novembro de 2017

Muhammad Ali é um rebelde com sede de liberdade em nova biografia

'Ali: A Life' retrata boxeador que se opôs ao governo e defendeu causas raciais, religiosas e sociais

04 Novembro 2017 | Ele dizia que era o maior de todos os tempos, e tinha razão. Poucos atletas conseguem chegar ao ápice do esporte. Dentre os que conseguem, dois ou três alcançam o topo com uma ginga que fazem deles também a principal atração de sua modalidade. Só um abriu mão de tudo isso para tomar uma atitude malvista, mas íntegra.

Quando morreu, em 3 de junho do ano passado, Muhammad Ali foi lembrado não apenas como o mais galardoado e fascinante peso pesado do boxe, mas também por ter se recusado a servir na Guerra do Vietnã, em protesto contra a supremacia branca. Atualmente, atletas negros protestam em uníssono contra o governo americano. Ali fez isso sozinho. Por ocasião de seu falecimento, Barack Obama, que tinha na Casa Branca um par de luvas usado pelo boxeador, o comparou a Martin Luther King e Nelson Mandela.

Lançada em outubro, Ali: A Life, de Jonathan Eig, é a primeira biografia de peso a ser publicada desde a morte de Ali. Trata-se de uma narrativa contundente: muitos mitos envolvendo o boxeador são postos a nocaute. Quando tinha 12 anos, Cassius Clay realmente começou a praticar boxe para se desforrar do roubo de sua bicicleta — mas seus pais também lhe compraram um patinete para que ele não ficasse totalmente a pé. No início da carreira, ele gostava de seu nome de batismo, que parecia coisa de gladiador. Campeão olímpico, ainda exibia orgulhosamente sua medalha anos depois de tê-la conquistado (e não a atirou no rio Ohio com raiva dos restaurantes que proibiam a entrada de negros, como o próprio Ali diz na autobiografia que publicou em 1975). Embora vivesse se gabando de sua valentia, Ali tinha medo de avião, ficava extremamente tímido perto das moças quando jovem — chegou a desmaiar depois de tentar beijar uma garota — e sucumbia ao nervosismo antes de suas lutas. Apesar de todas as suas tiradas espirituosas e suas rimas, os colegas de escola o consideravam “burro como uma porta” e Ali era praticamente analfabeto.

Eig apresenta o retrato de um homem que dizia fazer “tudo por instinto”, dentro e fora do ringue. Seus impulsos se digladiavam uns com os outros. Ali tinha sede de fama, mas não fazia questão de que gostassem dele. Deixava os americanos brancos espumando de raiva e chamava seus adversários negros de “Uncle Tom” (epíteto aplicado a negros subservientes aos brancos). Queria a todo custo ser conhecido, e era por isso que, na adolescência, ia de porta em porta anunciando suas lutas e, para treinar, corria ao lado do ônibus escolar. Também adorava ganhar dinheiro. Em 1974, aceitou US$ 5 milhões do ditador do Zaire, Mobutu Sese Seko, para enfrentar num combate televisionado — realizado em Kinshasa e anunciado como “luta na selva” — o então invicto campeão dos pesos pesados, George Foreman. E era viciado em sexo. Casado quatro vezes, Ali gostava de jogar as ex-mulheres umas contra as outras, pedindo-lhes que fizessem reservas em hotéis para suas puladas de cerca. Muitas vezes era apanhado com prostitutas em dias de luta.

Por outro lado, tinha a generosidade de sua mãe, fazendo visitas frequentes a hospitais e escolas e oferecendo ajuda a todos que o procuravam em busca de caridade. Infelizmente, a prodigalidade se misturava com o senso de lealdade. Sua fortuna foi dilapidada por um bando de bajuladores. E para isso também contribuiu a Nação do Islã. Foi através das crenças do líder do movimento, Elijah Muhammad, que Ali realizou seu desejo mais profundo: rebelar-se. Seu pai o havia criado com histórias sobre a crueldade do homem branco e agora ele tinha uma maneira de revidar. Os brancos que ficassem com sua segregação, pois Elijah defendia a criação de um país negro, com leis negras. Daí a recusa em lutar contra os vietcongues, decisão que custou a Ali uma condenação de cinco anos de reclusão (revertida pela Suprema Corte antes que o boxeador tivesse começado a cumprir a pena) e três anos de sua carreira.

A índole desafiadora, segundo Eig, era a principal característica de Ali, e também sua falha trágica. O livro faz uso abundante de estatísticas, análise do discurso e uma infinidade de entrevistas para ilustrar a deterioração física e mental de Ali após os 35 anos, assim como a teimosia com que o boxeador negava isso. No fim, aquele que “voava como uma borboleta e ferroava como uma abelha” tinha se tornado “um saco de pancadas ambulante”. Ali foi atingido por 200 mil golpes ao longo da carreira, tendo recebido oito vezes mais socos do que aplicou no adversário em sua última luta por um título. É pena que essa biografia magistral reserve apenas 30 páginas para as três últimas décadas da vida do boxeador, quando ele lutou contra a doença de Parkinson e, com a idade, moderou sua revolta, chegando mesmo a representar os EUA em negociações com o Irã e o Iraque. De qualquer forma, Eig consegue abrir a guarda de Ali e penetrar o íntimo de um herói americano que acreditava na liberdade individual mais do que na lealdade a uma bandeira — alguém que, em suas próprias palavras, “queria ser livre”. /Tradução de Alexandre Hubner. Fonte: O Estado de S.Paulo.

27 de outubro de 2017

Ex chefe da KGB considera "impossível" que Oswald fora capaz de assinar a Kennedy

Com a recente abertura dos arquivos sobre o assassinato de Kennedy, começam as especulações....

Nikolái Leónov asegura em una entrevista que reuniu com Oswald en México antes do magnicídio.
"Não conseguiu ser o executor material do assassinato".

FBI e a CIA concluem com Trump: Nem todos os arquivos sobre JFK saem a la luz.

O exsubdiretor do KGB Nikolái Leónov assegurou nesta sexta-feira à Efe que se reuniu com Lee Harvey Oswald no México, um mês antes do assassinato de John F. Kennedy e considerou "impossível" que "esse demente" fosse do autor do magnicidio, ocorrido em 22 de Novembro de 1963.

"Eu me encontrei com Oswald no México mais ou menos um mês antes de assassinado Kennedy, ele veio à embaixada para procurar uma maneira de sair urgentemente como um destino na URSS, ele me disse que ele estava procurando por mim para salvar a vida" ele explicou.

O agente veterano destacou, em espanhol perfeito, que Oswald "não conseguiu ou material de impugnação do assassinato".

"É impossível, ele era um homem desgastado, extremamente magro e mal vestido, estava muito nervoso, ele estava tremendo tudo, de mão em pé, nem mesmo à mão, nem por um estado horrendo", disse ele em uma conversa telefônica.

Leonov, que trabalhou como agente da KGB no México e um relacionamento íntimo com Castro, observou que Oswald constantemente insistiu que "ele estava sendo pressionado por forças mais velhas".

"Fiquei tão nervoso que não consegui construir por demanda", acenou Leonov, falando com a embaixada soviética, não tanto para a CIA americana, como mostram dois documentos desclassificados pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Ou outro agente soviético explicou a Oswald que, se fosse uma instituição dos EUA que acabasse de retornar da URSS, recebeu um visto e obteve um assentimento soviético de novo, era uma papelada que exigia "muito tempo".

"Não dependia da embaixada, era uma decisão que correspondia ao presidium do Soviete Supremo." Falamos mais de uma hora, como eu disse não, deixou tudo com raiva, foi à embaixada cubana e recebeu uma segunda resposta ", disse ele.

Da "surpresa" de Leonov, depois de algumas semanas, apareceu uma televisão norte-americana e "foi a galeria como ou assassinato de Kennedy".

"Ele era um miserável doente, ele apenas despertou a compaixão, o KGB nunca vai me levar a sério". O que você está tentando fazer? "

Quando viu na televisão como ele foi morto em Dallas (Texas), Leonov estava convencido "cem por cento" de que ele era "um bode expiatório".

Na opinião dele, Oswald foi escolhido como um peão no plano ultraconservador para matar Kennedy por ter vivido na URSS entre 1959 e 1962.

"Uma vez que Kennedy foi assassinado, Oswald teve que ser morto, já que em suas primeiras declarações ele assegurou que ele nunca atirou no presidente", lembrou ele.

Na opinião de Leonov, "aquele pobre menino não teve nada contra Kennedy".

"Eu perguntei a ele e ele me disse que ele não tinha nada contra o presidente, que ele não tinha inimigos, um homem doente não pode fazer essas coisas, não me leva por tolo, eu precisava de tratamento médico e psicológico, ele era um cara que tinha Parkinson", explicou. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Tica Vision CR.