27 de janeiro de 2026

Após diagnóstico de Parkinson, Kajuru anuncia saída da política

Senador reclama de "falta de reconhecimento" do eleitorado goiano, descarta concorrer por São Paulo e diz que vai priorizar sua saúde. Mandato dele acaba neste ano.

27/1/2026 - O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) afirmou que não disputará um novo mandato político e que pretende se afastar da vida pública para priorizar a própria saúde. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Popular, de Goiânia, após o parlamentar revelar que recebeu em dezembro o diagnóstico de doença de Parkinson.

Segundo Kajuru, a decisão também está relacionada ao que classificou como "falta de reconhecimento" do eleitorado goiano. Ele descartou a possibilidade de concorrer por São Paulo, seu estado natal, apesar de uma sugestão feita pelo PSB para que disputasse uma vaga de deputado federal nas eleições de outubro.

"O partido quer, mas é preciso ver se eu quero. Não quero. Não quero continuar na política", afirmou. O senador disse ainda que não cogita disputar mandato por outro estado. "Não. Claro que não. Se eu fosse continuar, eu continuaria em Goiás", declarou.

Kajuru reforçou que a prioridade agora é cuidar da saúde. "Sou paulista. Fiquei muito feliz e orgulhoso, mas não tem essa possibilidade. O que eu quero é cuidar da minha saúde e a política não me atrai em mais nada", disse.

De acordo com o senador, a decisão será comunicada oficialmente ao partido ainda nesta semana. "Vou agradecer e dizer que fiquei feiz. Isso é importante porque, infelizmente, em Goiás não houve reconhecimento do que eu fiz, mas eu sigo a vida", afirmou.

Após o diagnóstico de Parkinson, Kajuru disse ter reforçado uma intenção que já existia de deixar a política. Ele relatou que a reação inicial foi a de "querer sair correndo" da vida pública. O senador já havia sinalizado anteriormente que não pretendia concorrer a um novo mandato e que pretendia retornar ao jornalismo esportivo no rádio e na televisão.

O mandato de oito anos dele no Senado se encerra ao final do ano. Em outubro, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa.

Política e jornalismo esportivo

Kajuru foi eleito vereador em Goiânia em 2016 e, dois anos depois, venceu a disputa para o Senado com mais de 1,5 milhão de votos. Em agosto do ano passado, licenciou-se do cargo por 30 dias para tratar problemas de saúde, como fraqueza muscular, insônia, ansiedade e depressão. Diabético, ele também retirou um tumor do pâncreas em 2019.

O senador afirmou ainda que seria incoerente disputar uma nova eleição depois de ter apresentado uma proposta de emenda à Constituição que extingue a reeleição para cargos do Executivo no Brasil. A PEC ainda aguarda votação no Senado.

Jorge Kajuru tem mais de cinco décadas de atuação no rádio esportivo. Já apresentou programas em rede nacional no SBT, na Band e na RedeTV! Fonte: congressoemfoco.

17 de janeiro de 2026

Doença causou morte de Manoel Carlos? Médica explica caso do autor

Após a morte de Manoel Carlos, médica explica como doença do autor afeta o corpo, a cognição e por que complicações são riscos frequentes

16/01/2026 - Manoel Carlos, autor de novelas históricas e responsável por personagens icônicos da TV, morreu no dia 10 de janeiro aos 92 anos, após anos convivendo com a doença de Parkinson. Diagnosticado há alguns anos, o escritor seguiu ativo intelectualmente até a velhice, o que levanta dúvidas comuns entre o público: como o Parkinson afeta, na prática, o corpo? E o que costuma levar à morte de pacientes com Parkinson?

Para esclarecer essas questões, a CARAS Brasil conversou com a médica Roberta França, médica especialista em longevidade consciente e saúde mental, que explicou os impactos da doença de Parkinson, os riscos em estágios avançados e a importância do suporte familiar e multidisciplinar.

Atividade intelectual protege o cérebro no Parkinson?

O autor escreveu novelas até uma idade avançada e assinou ‘Em Família’ aos 80 anos. Mas esse esforço mental funciona como uma proteção real contra a progressão da doença?

Segundo a especialista, a resposta exige cautela. “A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, progressiva e inexorável. Ou seja, trata-se de uma condição que afeta todo o sistema neurológico, e não apenas a parte motora, e que, até a presente data, não possui medicação capaz de modificar a evolução da doença”.

Ela explica que o Parkinson é frequentemente associado ao tremor, mas vai muito além disso. “O paciente, além de apresentar um caminhar mais arrastado e dificuldade para realizar movimentos amplos, passa a ficar mais rígido. E isso não se limita apenas à marcha: ações simples, como levar um copo à boca ou usar um garfo, podem se tornar difíceis”.

Quando o assunto é escrever, o impacto é direto. “Escrever, por exemplo, é uma atividade complexa, pois exige coordenação motora fina, habilidade que vai sendo progressivamente perdida na doença de Parkinson”. Com o avanço do quadro, a letra muda e pode chegar um momento em que o paciente não consegue mais escrever. “O tremor e a perda do controle motor fino dificultam muito essa atividade”.

Ainda assim, há um ponto de esperança. “Quando o paciente mantém uma vida ativa, realizando fisioterapia, atividade física regular, estimulação cognitiva, terapia ocupacional e fonoaudiologia, os impactos motores da doença podem ser significativamente minimizados“. A médica alerta, porém, que a cognição também pode ser afetada ao longo do tempo, inclusive com risco de demência associada ao Parkinson.

O que costuma levar à morte em casos avançados de Parkinson?

A causa da morte de Manoel Carlos não foi divulgada, mas a dúvida é comum entre familiares de pacientes idosos com Parkinson avançado.

De acordo com Roberta França, os riscos vão além da mobilidade. “A doença de Parkinson afeta a parte motora de forma ampla, e isso não se restringe apenas à capacidade de caminhar”. Problemas intestinais, refluxo e perda de força vocal são frequentes. “Muitas vezes, ele inicia a fala normalmente, mas, aos poucos, a voz vai ficando cada vez mais fraca, até quase desaparecer”.

Esse comprometimento favorece engasgos. “Isso ocorre devido ao comprometimento da musculatura orofaríngea, o que também favorece episódios frequentes de engasgo. Esses engasgos podem levar a pneumonias por broncoaspiração”. Além disso, a limitação dos movimentos pode deixar o paciente acamado, aumentando ainda mais o risco de infecções respiratórias.

“Assim, em pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado, as complicações respiratórias são uma das principais causas de óbito”, afirma. Há ainda o risco aumentado de AVC e a progressão da demência associada à doença.

Família e equipe multidisciplinar fazem diferença

Para a médica, nenhum paciente com Parkinson evolui bem sem suporte. “Um paciente com doença de Parkinson, sem o suporte de uma equipe multidisciplinar, dificilmente terá uma evolução positiva”.

Ela destaca que o diagnóstico precoce muda o cenário. “Quando o diagnóstico é feito precocemente, o tratamento medicamentoso é iniciado cedo e o paciente passa a realizar atividade física regular desde os primeiros sinais da doença, os resultados costumam ser melhores”.

O apoio emocional também é essencial. “A aceitação da doença de Parkinson é um processo difícil. Como os sintomas motores são visíveis, muitos pacientes sentem vergonha do tremor, de deixar cair objetos ou de sujar a roupa durante as refeições”. Sem apoio, o isolamento social e a depressão se tornam riscos reais.

Segundo a especialista, esse suporte pode garantir anos de convivência com a doença, com mais dignidade e qualidade de vida: “Por isso, a família, os amigos e toda a rede de apoio são fundamentais para ajudar o paciente a aceitar o tratamento e aderir às terapias”. Fonte: caras. 

10 de janeiro de 2026

Morre o autor Manoel Carlos aos 92 anos

Escritor vivia recluso e lidava com a doença de Parkinson há alguns anos

10 jan 2026 - Manoel Carlos morreu aos 92 anos neste sábado, 10, de acordo com a Globo. O autor de novelas estava sob cuidados médicos desde julho de 2025 devido a uma piora no estado de saúde. A causa não foi divulgada e ainda não há informações sobre o velório e sepultamento.

Grande ícone da teledramaturgia brasileira, Maneco, como era conhecido, passou os últimos anos de vida recluso. Ele estava com a saúde debilitada e lidava com a doença de Parkinson, condição que afeta principalmente o sistema motor. Fonte: Terra.

2 de outubro de 2025

Milton Nascimento é diagnosticado com demência por corpos de Lewy; entenda doença

Filho do cantor revelou em entrevista que ele repetia as mesmas histórias e teve "piora brusca no quadro cognitivo"

02/10/2025 - O cantor Milton Nascimento, de 82 anos, foi diagnosticado com demência por corpos de Lewy (DCL), terceiro tipo mais comum da doença neurodegenerativa. A informação foi revelada pelo filho do artista, Augusto Nascimento, em entrevista divulgada pela revista Piauí nesta quinta-feira (2).

Augusto falou sobre os primeiros sinais da doença, como a dificuldade para se recordar de coisas e a repetição de histórias contadas. O olhar fixo do artista também causou apreensão. "Meu pai apresentava uma piora brusca no quadro cognitivo", disse o empresário.

O diagnóstico foi confirmado pouco depois de uma viagem de motorhome feita pelos dois aos Estados Unidos, em maio deste ano. Os sintomas são similares ao Alzheimer e também ao Parkinson, doença degenerativa com a qual ele havia sido diagnosticado anteriormente.

Milton está aposentado dos palcos desde novembro de 2022, após a turnê de despedida 'A Última Sessão de Música'. Apesar disso, lançou em agosto de 2024 o álbum 'Milton + Esperanza', em parceria com a cantora norte-americana Esperanza Spalding.

O que é a demência por corpos de Lewy

A demência por corpos de Lewy é o terceiro tipo mais comum de demência, atrás apenas do Alzheimer e da demência vascular. A doença afeta a memória, o pensamento, o movimento e a capacidade para aprender.

A condição, que ainda não possui uma causa genética definida, é resultado da degeneração e morte de células nervosas no cérebro. Uma proteína, chamada alfa-sinucleína, se deposita de forma anormal nas células nervosas e, esses depósitos – chamados de corpos de Lewy –, afetam substâncias químicas e resultam na morte dessas células.

Os corpos de Lewy se formam ao longo da camada mais externa do cérebro, a substância cinzenta ou córtex cerebral. É o córtex cerebral, maior parte do cérebro, que é responsável pelo pensamento, percepção, uso e compreensão da linguagem.

Os sintomas da demência por corpos de Lewy são muito semelhantes aos da doença de Alzheimer e incluem:

tremores;

lentidão;

rigidez;

alucinações;

crises de apatia que podem durar dias.

Segundo o Manual MSD, pessoas que desenvolvem a demência de corpos de Lewy têm dificuldade de movimentação semelhante à doença de Parkinson. No caso de Milton Nascimento, o diagnóstico inicial de Parkinson, na verdade, já era a demência se manifestando. Fonte: sbtnews.