15 de novembro de 2017

Sexta mulher acusa Bush pai de ter apertado suas nádegas em evento

14/11/2017 - Uma mulher acusou o ex-presidente dos EUA George H. W. Bush de ter apertado suas nádegas ao posar para uma foto em 2003, quando era uma adolescente de 16 anos. É a sexta a afirmar ter sido vítima de abuso do republicano.

Em entrevista publicada nesta terça-feira (14) pela revista "Time", Roslyn Corrigan, hoje com 30 anos, disse que Bush pai, à época com 79 anos, a apalpou em evento no escritório da CIA em The Woodlands, na região de Houston.

"Quando disseram 'um, dois, três' para a foto, ele tirou as mãos do meu pulso e deu um aperto rápido, que só pôde ser percebido pelo fato de que na foto minha boca aparece aberta. Na hora eu pensava: 'Meu Deus, o que aconteceu?'"

O abuso ocorreu depois que Bush pai deu uma palestra no escritório, onde trabalhava o pai de Corrigan. "Minha reação inicial foi de absoluto terror. Eu estava realmente confusa. O que uma adolescente vai dizer a um ex-presidente?"

A denunciante se pronuncia após cinco mulheres terem acusado o republicano de abuso. A primeira foi a atriz Heather Lind, que disse ter sido apalpada e ter ouvido uma piada no lançamento de um programa de TV em 2014.

Em um canal oficial, ela afirma sido alertada por um segurança para não ficar ao lado do ex-presidente. Na sequência, outra atriz, Jordana Grolnick, o acusou de tê-la abusado nos bastidores de uma peça de teatro em 2016.

Na época em que as duas foram atacadas, Bush pai já sofria de mal de Parkinson e se locomovia com uma cadeira de rodas. Após primeiras denúncias, seu porta-voz, Jim McGrath, negou qualquer má intenção do ex-presidente.

McGrath afirmava que, por ser cadeirante, o republicano ficaria com a mão muito perto da cintura das pessoas. Porém, Corrigan e outra denunciante foram atacadas antes de ele começar a ter dificuldades de locomoção, em 2012.

"Ele não quis causar nenhum dano ou constrangimento e volta a pedir desculpas por qualquer pessoas que ele possa ter ofendido durante uma foto", disse o porta-voz à "Time" nesta terça. Fonte: Folha de S.Paulo.

13 de novembro de 2017

PAULO BENEVIDES SOARES (1939-2017): Astrônomo dos tempos do Renascimento

Paulo Benevides Soares (1939-2017)
12/11/2017 - Quando Maria Vitória lia o jornal depois do marido, era comum que se deparasse com equações rabiscadas nas margens das páginas. O cérebro do astrônomo Paulo Benevides Soares respondia a qualquer estímulo -estudar, para ele, era uma função orgânica.

Engenheiro formado pelo ITA (Instituto de Tecnologia da Aeronáutica), passou a se dedicar à astronomia nos anos 60, quando foi convidado a fazer doutorado no observatório de Besançon, na França.

Voltou ao Brasil em 1968, convidado a desenvolver sua pesquisa na USP. Do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, foi professor titular de 1987 a 2009.

Dentre seus feitos, destaca-se a participação na criação do observatório da universidade em Valinhos (SP) -o antigo, na capital paulistana, caiu em desuso devido à poluição atmosférica da cidade.

Apesar da trajetória como homem das ciências, Benevides era considerado um intelectual completo. O amigo Antonio Candido o qualificava como "pessoa superior" devido à sua natureza modesta e ao perfil humanista; em homenagem na academia, foi chamado por convidada estrangeira de "renascentista".

Interessava-se por literatura, música, cinema, teatro. Politizado, sentia-se comprometido com os rumos do país e contribuía em todos os níveis: na relação com os alunos, como orientador atencioso ou pensando questões maiores. "Tinha uma profunda preocupação com o desenvolvimento científico e a formação do cidadão", diz a mulher.

Morreu nesta terça (7), aos 78, devido a complicações do mal de Parkinson. Deixa mulher, três filhos e três netas. Fonte: Folha de S.Paulo.

12 de novembro de 2017

Dez perguntas para Eduardo Dussek

Eduardo Dussek: cantor expõe quadros em homenagem ao pai /Foto: TV Globo
12/11/2017 - Eduardo Dussek é uma “brisa” leve neste momento politicamente correto em que vivemos no País. Sem pudores nem papas na língua, o multiartista faz rir com a leveza de uma criança de 5 anos. E pode ser, já que ele não revela a idade nem sob tortura (é só dar um “google”!): “Coloca aí qualquer coisa entre os 50 anos e a morte. Perdi a noção mesmo, porque os anos passam muito rápido. Não olho a carteira de identidade”. O bom humor está ali até na hora de falar sobre a doença(*) de Parkinson, doença diagnosticada há 12 anos: “Quando as mãos tremem, é só colocar um pandeiro.”


Não foi surpresa pra ninguém quando ele resolveu pôr um capítulo novo em sua vida – como sempre faz – e se lançar como artista plástico sob o codinome Edu Gabor Dussek. Dos 20 quadros a óleo que conseguiu reunir desde 2015 em seu atelier (um cômodo de seu apartamento, em Copacabana), ele escolheu três para a coletiva “Ode às Cores”, na MBlois Galeria de Arte, em Ipanema, em homenagem ao pai, o artista plástico, escultor e gravurista Milan Dusek, que morreu ano passado, aos 92 anos. A mostra vai até dia 8 de dezembro. Só pra constar: Dussek tem formação pela Escola Técnica de Arquitetura, mas estudou desenho e pintura com o pai, desde os 10 anos. Sua mãe, Agnes Dusek, era pintora, além de tradutora e intérprete. Fonte: LuLacerda.



(*) na matéria original está grafado "mal". Considero importante explicitar pois já foi caso de polêmica e, sendo politicamente correto, devo salientar que esta "correção", no meu entendimento, pode tirar a espontaneidade da matéria. Afinal por que ter esta merda, é uma "mal"dição mesmo, ou não é?

8 de novembro de 2017

EVA TODOR - 97 ANOS

06/11/2017 | A atriz que tem no currículo 21 novelas, 10 minisséries e quatro filmes, foi diagnosticada com doença de Parkinson há alguns anos e, desde "Salve Jorge" (2012) está afastada da TV. Foto: Globo/ "O Cravo e a Rosa" Fonte: O Estado de S.Paulo.

5 de novembro de 2017

Muhammad Ali é um rebelde com sede de liberdade em nova biografia

'Ali: A Life' retrata boxeador que se opôs ao governo e defendeu causas raciais, religiosas e sociais

04 Novembro 2017 | Ele dizia que era o maior de todos os tempos, e tinha razão. Poucos atletas conseguem chegar ao ápice do esporte. Dentre os que conseguem, dois ou três alcançam o topo com uma ginga que fazem deles também a principal atração de sua modalidade. Só um abriu mão de tudo isso para tomar uma atitude malvista, mas íntegra.

Quando morreu, em 3 de junho do ano passado, Muhammad Ali foi lembrado não apenas como o mais galardoado e fascinante peso pesado do boxe, mas também por ter se recusado a servir na Guerra do Vietnã, em protesto contra a supremacia branca. Atualmente, atletas negros protestam em uníssono contra o governo americano. Ali fez isso sozinho. Por ocasião de seu falecimento, Barack Obama, que tinha na Casa Branca um par de luvas usado pelo boxeador, o comparou a Martin Luther King e Nelson Mandela.

Lançada em outubro, Ali: A Life, de Jonathan Eig, é a primeira biografia de peso a ser publicada desde a morte de Ali. Trata-se de uma narrativa contundente: muitos mitos envolvendo o boxeador são postos a nocaute. Quando tinha 12 anos, Cassius Clay realmente começou a praticar boxe para se desforrar do roubo de sua bicicleta — mas seus pais também lhe compraram um patinete para que ele não ficasse totalmente a pé. No início da carreira, ele gostava de seu nome de batismo, que parecia coisa de gladiador. Campeão olímpico, ainda exibia orgulhosamente sua medalha anos depois de tê-la conquistado (e não a atirou no rio Ohio com raiva dos restaurantes que proibiam a entrada de negros, como o próprio Ali diz na autobiografia que publicou em 1975). Embora vivesse se gabando de sua valentia, Ali tinha medo de avião, ficava extremamente tímido perto das moças quando jovem — chegou a desmaiar depois de tentar beijar uma garota — e sucumbia ao nervosismo antes de suas lutas. Apesar de todas as suas tiradas espirituosas e suas rimas, os colegas de escola o consideravam “burro como uma porta” e Ali era praticamente analfabeto.

Eig apresenta o retrato de um homem que dizia fazer “tudo por instinto”, dentro e fora do ringue. Seus impulsos se digladiavam uns com os outros. Ali tinha sede de fama, mas não fazia questão de que gostassem dele. Deixava os americanos brancos espumando de raiva e chamava seus adversários negros de “Uncle Tom” (epíteto aplicado a negros subservientes aos brancos). Queria a todo custo ser conhecido, e era por isso que, na adolescência, ia de porta em porta anunciando suas lutas e, para treinar, corria ao lado do ônibus escolar. Também adorava ganhar dinheiro. Em 1974, aceitou US$ 5 milhões do ditador do Zaire, Mobutu Sese Seko, para enfrentar num combate televisionado — realizado em Kinshasa e anunciado como “luta na selva” — o então invicto campeão dos pesos pesados, George Foreman. E era viciado em sexo. Casado quatro vezes, Ali gostava de jogar as ex-mulheres umas contra as outras, pedindo-lhes que fizessem reservas em hotéis para suas puladas de cerca. Muitas vezes era apanhado com prostitutas em dias de luta.

Por outro lado, tinha a generosidade de sua mãe, fazendo visitas frequentes a hospitais e escolas e oferecendo ajuda a todos que o procuravam em busca de caridade. Infelizmente, a prodigalidade se misturava com o senso de lealdade. Sua fortuna foi dilapidada por um bando de bajuladores. E para isso também contribuiu a Nação do Islã. Foi através das crenças do líder do movimento, Elijah Muhammad, que Ali realizou seu desejo mais profundo: rebelar-se. Seu pai o havia criado com histórias sobre a crueldade do homem branco e agora ele tinha uma maneira de revidar. Os brancos que ficassem com sua segregação, pois Elijah defendia a criação de um país negro, com leis negras. Daí a recusa em lutar contra os vietcongues, decisão que custou a Ali uma condenação de cinco anos de reclusão (revertida pela Suprema Corte antes que o boxeador tivesse começado a cumprir a pena) e três anos de sua carreira.

A índole desafiadora, segundo Eig, era a principal característica de Ali, e também sua falha trágica. O livro faz uso abundante de estatísticas, análise do discurso e uma infinidade de entrevistas para ilustrar a deterioração física e mental de Ali após os 35 anos, assim como a teimosia com que o boxeador negava isso. No fim, aquele que “voava como uma borboleta e ferroava como uma abelha” tinha se tornado “um saco de pancadas ambulante”. Ali foi atingido por 200 mil golpes ao longo da carreira, tendo recebido oito vezes mais socos do que aplicou no adversário em sua última luta por um título. É pena que essa biografia magistral reserve apenas 30 páginas para as três últimas décadas da vida do boxeador, quando ele lutou contra a doença de Parkinson e, com a idade, moderou sua revolta, chegando mesmo a representar os EUA em negociações com o Irã e o Iraque. De qualquer forma, Eig consegue abrir a guarda de Ali e penetrar o íntimo de um herói americano que acreditava na liberdade individual mais do que na lealdade a uma bandeira — alguém que, em suas próprias palavras, “queria ser livre”. /Tradução de Alexandre Hubner. Fonte: O Estado de S.Paulo.